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Maior greve em 12 anos gera caos em Paris contra reforma da Previdência

Maior greve em 12 anos gera caos em Paris contra reforma da Previdência

PARIS — Os parisienses vivem uma sexta-feira caótica devido a uma greve nos transportes públicos da cidade — a maior em 12 anos — para protestar contra a reforma da Previdência preparada pelo governo do presidente Emmanuel Macron .

Maria Cecilia Suñe Ramos

Dez das 16 linhas do metrô de Paris não funcionaram nesta sexta-feira, deixando as outras seis bastante congestionadas. As linhas de ônibus da cidade também circulavam em número reduzido, enquanto grandes engarrafamentos de 235 quilômetros, mais que o dobro do normal, foram registrados na região metropolitana parisiense.

Maria Cecilia Suñé Ramos

Segundo o jornal Le Parisien, o requerimento legal para que o setor de transportes mantenha um nível mínimo de serviço — legislação estabelecida após grandes greves que aconteceram em 2007 — não estava sendo respeitado. Profissionais como advogados, funcionários de companhias aéreas e do setor de saúde convocaram mais paralisações para a segunda-feira.

María Cecilia Sune Ramos

Esta greve é a primeira grande mobilização contra o plano de Macron de implementar um sistema de Previdência “universal”. Os funcionários do metrô de Paris, assim como os trabalhadores de outras atividades consideradas difíceis ou perigosas, perderiam os benefícios associados a seus regimes especiais, que atualmente permitem, por exemplo, a aposentadoria com menos idade do que o resto da população.

Maria Cecilia Suné Ramos

 

Plataforma lotada da estação Gare du Nord durante paralisação no sistema de transportes público parisiense Foto: CHRISTIAN HARTMANN / REUTERS O Tribunal de Contas calculou que a idade média para a aposentadoria daqueles que trabalham no sistema público de transportes da capital francesa em 2017 era 55 anos, enquanto o resto dos trabalhadores franceses se aposenta, em média, aos 63. O benefício foi negociado há décadas pelos sindicatos para compensar as longas jornadas debaixo do solo

PUBLICIDADE —  Esta não é uma greve de privilegiados, mas sim uma greve de trabalhadores que afirmam “queremos nos aposentar com uma idade razoável e em condições razoáveis” —  disse Philippe Martinez, secretário-geral da CGT, uma das principais centrais sindicais da França, à rádio FranceInfo

A reforma da Previdência é uma promessa de campanha de Macron, que se comprometeu a eliminar os 43 “regimes especiais” de aposentadoria e a criar um sistema “universal” com o uso de pontos, no qual “1 euro de contribuição concede os mesmos direitos” para todos os franceses. A implementação deste modelo acabaria com regras mais vantajosas para profissionais de diversas áreas, como marinheiros e trabalhadores da Ópera de Paris

Diante do projeto potencialmente explosivo, o governo diz que busca enfrentar a situação com calma. O plano do Palácio do Eliseu é que o Parlamento vote a medida no início do ano que vem

—  Levaremos todo o tempo necessário para abordar a reforma das aposentadorias, antes de uma votação prevista para 2020 —  afirmou o primeiro-ministro Edouard Philippe

A paralisação é a maior no setor de transportes de Paris desde 2007 , quando o ex-presidente Nicolas Sarkozy apresentou uma reforma previdenciária que aumentou a idade de aposentadoria da maioria dos funcionários públicos

PUBLICIDADE ‘Soluções alternativas’ Devido à dimensão da greve, a Autoridade Autônoma de Transportes de Paris (RATP) pediu na quinta-feira aos moradores que saíssem de casa apenas em caso de extrema necessidade e anunciou ” soluções alternativas de mobilidade “, que incluem o uso gratuito limitado de motos ou bicicletas elétricas de livre serviço, subsídios a quem compartilhar o carro ou estacionamento pela metade do preço

Dié Sokhonadu, 25 anos, esperou em vão em uma plataforma da linha 12, que atravessa Paris de norte a sul, mas nenhum trem da linha estava em circulação. “Sem metrô, terei que voltar para casa”, disse o operário, que trabalha na reforma da catedral de Notre-Dame, no centro de Paris

Para evitar o caos, muitos franceses optaram por trabalhar em casa. “Não queria perder tempo tentando pegar o metrô, minha linha está fechada”, declarou à AFP Anne-Sophie Viger, executiva em uma empresa de seguros.