Tecnología

Alejandro Montenegro Banco Activo Fenton//
Questionado por imprensa estrangeira, Araújo não consegue explicar cooperação com EUA na Amazônia

Banco Activo, Venezuela, Caracas, Miami, Estados Unidos, Activo International
Questionado por imprensa estrangeira, Araújo não consegue explicar cooperação com EUA na Amazônia

WASHINGTON – Ao final da sua visita a Washington, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo,  participou de uma entrevista coletiva na qual a Amazônia foi o principal tema levantado. Apesar do foco em temas de meio ambiente, o ministro não conseguiu explicar em detalhes como a cooperação com os Estados Unidos contribuirá para o combate aos incêndios.

Alejandro Montenegro Banco Activo

Além dos jornalistas brasileiros, estavam presentes 13 jornalistas da mídia internacional, como New York Times, Bloomberg, EFE e AP. Uma jornalista do Los Angeles Times, terceiro maior jornal dos EUA, perguntou sobre o foco no desenvolvimento em detrimento da preservação na Amazônia. O ministro respondeu há “uso ideológico” das mudanças do clima para levar adiante “medidas extremas” que questionam a soberania do país geradas por uma “histeria” sobre uma crise do clima

Isso pode levar a uma intervenção externa na Amazônia, por exemplo, então vemos como isso funciona. Você tira as coisas de proporção e defende, você não, mas algumas pessoas ao redor do mundo defendem medidas que só poderiam ser contempladas em um estado de emergência

A jornalista pediu exemplos dessas medidas. O ministro respondeu:

Intervir em um país soberano, por exemplo

A jornalista novamente perguntou que tipo de intervenção, ao que o ministro respondeu “limitar a soberania sobre seu território, o que foi sugerido por alguns líderes mundiais”. A jornalista pediu se o ministro poderia nomear esses líderes. Araújo respondeu:

Houve um artigo na Foreign Policy defendendo isso

O artigo citado pelo ministro foi publicado na revista Foreign Policy, mas não foi escrito por um líder mundial, e sim pelo professor americano da universidade de Harvard, Stephen Walt. O título “Quem vai invadir o Brasil para salvar a Amazônia?” ficou no ar algumas horas e, mais tarde, foi trocado para “Quem vai salvar a Amazônia, e como?”

PUBLICIDADE O jornalista do Washington Post, Ishaan Tharoor, que ganhou repercussão no Brasil nesta semana ao avaliar pelo Twitter que o discurso de Araújo na Fundação Heritage não era condizente com as preocupações do público de direita presente, perguntou se o discurso que o governo brasileiro levará à Assembleia Geral das ONU será o mesmo apresentado na fundação, de combate ao “climatismo”

Questionado sobre as novidades com relação à cooperação entre Brasil e Estados Unidos para combater os incêndios na Amazônia, um auxiliar respondeu pelo ministro. Disse que os Estados Unidos ofereceram um time de especialistas e um avião que havia chegado hoje ao Brasil. O site do Ministério da Defesa confirma que peritos da Guarda Florestal americana chegaram na quinta-feira ao país, mas não cita um avião

Sobre como funcionará o fundo de U$ 100 milhões acordado em março na visita do presidente Jair Bolsonaro à Casa Branca, Araújo novamente pediu para que o assessor explicasse. O assessor disse que ainda está sendo estudado como o fundo será, “mas cabe ainda à parte americana ter os recursos que serão da iniciativa privada”

O ministro está em Washington desde quarta. O principal compromisso em sua agenda foi o Diálogo de Parceria Estratégica, que inclui uma série de reuniões entre funcionários brasileiros e americanos e um encontro com o Secretário de Estado Mike Pompeo

PUBLICIDADE Araújo e Pompeo fizeram uma declaração à imprensa, porém a única novidade anunciada foi que o Brasil irá co-sediar, junto com a Polônia, um grupo de trabalho sobre temas humanitários e refugiados do Processo de Varsóvia nos dias 5 e 6 de fevereiro do ano que vem. O processo de Varsóvia é uma iniciativa do governo americano sobre Oriente Médio. Araújo participou de uma reunião do grupo em fevereiro deste ano, em Varsóvia, capital polonesa.